Perfil do Jogador de Apostas em Portugal — A Demografia que o SRIJ Revela
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O Jogador Típico Tem entre 25 e 34 Anos — E Vive em Lisboa
Se tivesse de desenhar o retrato-robô do apostador online português, seria este: homem, entre 25 e 34 anos, residente na área metropolitana de Lisboa, de nacionalidade portuguesa. Não é um estereótipo — é o que os dados do SRIJ mostram, trimestre após trimestre. A faixa etária dos 25 aos 34 anos representa 33,5% de todos os registos no mercado de jogo online em Portugal. Lisboa concentra 21,8% dos jogadores registados, seguida de Porto com 21,0%.
Estes números não são novos para mim — acompanho-os há anos. Mas são novos para a maioria dos apostadores, porque nenhum site concorrente em Portugal se dá ao trabalho de publicar e analisar a demografia do mercado. E a demografia importa — porque entender quem aposta ajuda a compreender como e porquê o mercado se comporta como se comporta.
Distribuição Etária — Onde Está a Maioria
Os jogadores com menos de 45 anos representam 77,4% de todos os registos. É um mercado esmagadoramente jovem — e cada vez mais. No segundo trimestre de 2025, 36% dos novos registos pertenciam a jogadores entre 18 e 24 anos. É a faixa etária de entrada, o primeiro contacto com o jogo online, e a que mais preocupa os defensores do jogo responsável.
A concentração nos 25-34 anos — o maior segmento com 33,5% — faz sentido quando cruzamos com o perfil tecnológico: é a geração que cresceu com smartphones, que usa MB Way naturalmente e que consome desporto em plataformas digitais. Apostar online não é, para esta faixa etária, uma actividade extraordinária — é uma extensão do consumo digital quotidiano.
Acima dos 45 anos, a participação cai de forma acentuada. Não porque o interesse no desporto diminua, mas porque a familiaridade com plataformas digitais é menor e o modelo presencial (Placard em quiosques e cafés) continua a servir as necessidades deste segmento. Ricardo Domingues, presidente da APAJO, tem alertado para a tendência preocupante de cerca de 40% dos jogadores ainda apostarem em operadores não licenciados — e os dados sugerem que esta percentagem pode ser mais alta nos escalões etários mais jovens, onde a sensibilidade aos riscos do mercado ilegal é menor.
A implicação para o mercado é clara: à medida que os jogadores dos 18-24 amadurecem e passam para a faixa dos 25-34, o mercado estabiliza. O crescimento futuro depende de manter estes jogadores activos e de os conquistar ao mercado ilegal — não de expandir para faixas etárias que, historicamente, mostram baixa adesão ao formato digital.
Mapa Geográfico — Lisboa, Porto e o Resto
A concentração geográfica é mais acentuada do que muitos imaginam. Lisboa e Porto, sozinhos, somam 42,8% de todos os registos de jogadores. Braga, Setúbal e Aveiro seguem — mas a uma distância considerável, com cerca de 25% combinados. O interior do país e as regiões autónomas representam uma fatia residual.
Este padrão reflecte, naturalmente, a distribuição populacional portuguesa. Mas há um factor adicional: as zonas de maior concentração urbana têm maior penetração de internet de alta velocidade, maior familiaridade com pagamentos digitais e maior exposição a publicidade de operadores de apostas. Lisboa e Porto não são apenas as cidades mais populosas — são os ecossistemas digitais mais desenvolvidos do país.
Para os operadores, a concentração geográfica simplifica o marketing e a captação de clientes. Para o regulador, levanta questões sobre a acessibilidade das ferramentas de jogo responsável fora dos grandes centros — onde o apoio presencial e os recursos de saúde são mais escassos.
Uma nota pessoal: nos contactos que mantenho com apostadores de diferentes regiões, observo que os jogadores de fora dos grandes centros tendem a ser mais dependentes do telemóvel para apostar (menos acesso a desktop em casa) e mais vulneráveis à oferta ilegal (menor exposição a informação sobre operadores licenciados). A geografia do jogo online reflecte a geografia digital de Portugal — e as desigualdades que a acompanham.
Nacionalidade e Jogadores Estrangeiros
O mercado é esmagadoramente doméstico: 94,6% dos jogadores registados são de nacionalidade portuguesa. Entre os 5,4% de estrangeiros, os brasileiros são o grupo dominante com 49% das contas estrangeiras — reflexo directo da dimensão e do crescimento da comunidade brasileira em Portugal.
A presença brasileira no mercado de apostas não é surpreendente: o Brasil tem uma cultura de apostas desportivas em rápida expansão e muitos imigrantes trazem consigo hábitos de jogo online já estabelecidos. O facto de os operadores portugueses operarem em português facilita a transição — e vários operadores adaptaram comunicações e promoções ao público lusófono mais amplo.
Outras nacionalidades representam quotas residuais. A composição étnica do mercado de jogo online em Portugal segue, previsível e logicamente, a composição demográfica do país — com a sobrerrepresentação brasileira como único desvio relevante.
Para o mercado como um todo, a comunidade de jogadores estrangeiros representa uma base de crescimento potencial — à medida que a população imigrante em Portugal continua a aumentar, o número de contas de não-portugueses deverá acompanhar. Mas a escala é limitada: com 94,6% do mercado doméstico, o crescimento do jogo online em Portugal depende fundamentalmente do comportamento dos jogadores portugueses.
Os Dados Mostram Quem Joga — Falta Mostrar Porquê
Os relatórios do SRIJ são uma fonte valiosa — mas incompleta. Dizem-nos quem aposta (idade, geografia, nacionalidade), quanto aposta (volume e receita) e em quê (desporto, tipo de jogo). O que não dizem é porquê. As motivações — entretenimento, tentativa de rendimento, hábito social, fuga — são dimensões que os dados quantitativos não capturam e que seriam essenciais para compreender o mercado de apostas em Portugal na sua totalidade. Os números desenham o contorno; o retrato completo ainda está por fazer.
Há mais jogadores homens ou mulheres a apostar online em Portugal?
Os dados do SRIJ não discriminam por género de forma detalhada nos relatórios públicos, mas o perfil do mercado — dominado por apostas desportivas, particularmente futebol — sugere uma maioria masculina significativa, em linha com as tendências observadas em todos os mercados europeus. Os jogos de fortuna e azar online tendem a ter uma distribuição de género mais equilibrada do que as apostas desportivas.
Que percentagem dos jogadores em Portugal são estrangeiros?
Cerca de 5,4% dos jogadores registados em operadores licenciados pelo SRIJ são de nacionalidade não-portuguesa. Destes, os brasileiros representam a maioria — 49% das contas estrangeiras. O mercado é esmagadoramente doméstico, com 94,6% dos registos de jogadores portugueses.
